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XXXII
Era um fogo somente. Um fogo frio,
muito lúcido e frio. Entre lembranças,
vi meu corpo perder-se num macio,
leve oscilar de madrugadas mansas.
Vi a casa, o portão. Dormi no rio.
Visitei o caminho. E tive danças
selvagens, cor da lua. Um fogo frio
umedecia o riso das crianças.
Era um fogo, uma brasa, uma fogueira,
uma estrela, talvez. Nele, cansado,
curvei meu corpo doído de agonia
e nada vi senão minha cegueira,
meu grito seco aos poucos deformado,
e a face calma, para sempre fria.
De Sonetos da Ausência (1940-1943)Tomado de: poesia.net- www.algumapoesia.com.br- Carlos Machado, 2008
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